quarta-feira, 28 de abril de 2010

Consumo

Consumo um trecho dum livro, atentos os olhos percorrem pontos, letras, sinais diversos, escorre de um deles uma lágrima, não de contentamento ou lastima, só o sinal da fadiga. Uma pausa, aproveito pra refletir sobre trecho lido e percebo que assimilei pouco, quase nada, sinal de sono. Volto à leitura apesar do enfado.
Um traiçoeiro inseto me aperreia os tímpanos, na tentativa de livrar-me da inconveniência acerto o ar em cheio com as mãos unidas paralelas ao ouvido. Não bastasse o zumbido do inseto me consome o tinido do tapa, tamanha a força dispensada. Como se de uma peleja saísse invicto pousa em algum lugar do meu corpo e me consome o sangue.
As importunações me consomem, os ruídos agora me consomem, ladrar de cães, pingos de água na água, tique taques e outras onomatopéias, consumo eu a elas todas, o roncar do estômago me consome, consumo agora um pão, queijo, leite, e ainda sinto fome, engulo a gula, consumo a gula e me consome a fome, o sono me consome.

Hugo Monteiro.

1 comentários:

anna disse...

Parece uma ladainha o que você escreveu.
E lido baixinho, parece que você nem respirou entre uma palavra e outra, e entre uma frase e outra. E parece que foi tudo balbuciado (!)
Gostei do ritmo =)
(se tivesse menos pontuação teria ficado mais legal ainda!)

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